A «Y»
Nos muros da capela em ruínas
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o musgo alastra, mas não tanto
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como as inscrições, a selva
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de iniciais marcadas à navalha na pedra,
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que as devora e confunde, aliada ao tempo.
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Letras confusas, desajeitadas, contrafeitas.
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Às vezes desabafos, insultos.
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Mas invariavelmente
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as misteriosas iniciais unidas
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pelo «y» grego,
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mãos que acercam,
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pernas que se enlaçam, a conjunção
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copulativa, marca no muro
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de cópulas que foram
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ou não chegaram a ser.
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Como sabê-lo?
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Porque o «y» do encontro também simboliza
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caminhos que se bifurcam: E.G.
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encontrou F.D. E amaram-se.
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Foram «felizes para sempre»?
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Claro que não, nem isso importa muito.
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Insisto, amaram-se
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uma semana, um ano ou meio século.
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E por fim
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a vida separou-os ou desuniu-os a morte
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(uma de duas, sem mais alternativa).
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Dure uma noite ou sete lustros, nenhum amor
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termina de modo feliz (é sabido).
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Mas também a separação
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não prevalecerá contra o que juntos tiveram.
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Mesmo que M.A. tenha perdido T.H.
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e P. fique sem N.,
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houve amor e ardeu um instante e deixou
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uma marca humilde, no meio do musgo,
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neste livro de pedra.
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Análisis métrico
35
Versos
9.8
Media silábica
342
Sílabas totales