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A «Y»

Autor del poema: José Emilio Pacheco Tradução de Albino M. (https://ruadaspretas.blogspot.com/ Rua das Petras)
Nos muros da capela em ruínas 10
o musgo alastra, mas não tanto 10
como as inscrições, a selva 9
de iniciais marcadas à navalha na pedra, 13
que as devora e confunde, aliada ao tempo. 15
Letras confusas, desajeitadas, contrafeitas. 14
Às vezes desabafos, insultos. 9
Mas invariavelmente 7
as misteriosas iniciais unidas 11
pelo «y» grego, 4
mãos que acercam, 5
pernas que se enlaçam, a conjunção 11
copulativa, marca no muro 10
de cópulas que foram 7
ou não chegaram a ser. 7
Como sabê-lo? 4
Porque o «y» do encontro também simboliza 13
caminhos que se bifurcam: E.G. 9
encontrou F.D. E amaram-se. 8
Foram «felizes para sempre»? 9
Claro que não, nem isso importa muito. 12
Insisto, amaram-se 7
uma semana, um ano ou meio século. 13
E por fim 3
a vida separou-os ou desuniu-os a morte 15
(uma de duas, sem mais alternativa). 11
Dure uma noite ou sete lustros, nenhum amor 15
termina de modo feliz (é sabido). 12
Mas também a separação 8
não prevalecerá contra o que juntos tiveram. 15
Mesmo que M.A. tenha perdido T.H. 9
e P. fique sem N., 4
houve amor e ardeu um instante e deixou 14
uma marca humilde, no meio do musgo, 12
neste livro de pedra. 7

Análisis métrico

35 Versos
9.8 Media silábica
342 Sílabas totales